Bispo da Noruega admitiu abusar sexualmente de menino

O ex-bispo da Igreja Católica da Noruega Georg Müller admitiu ter abusado sexualmente de um menino há 20 anos, informou a igreja em comunicado. A revelação estende à Noruega o escândalo de pedofilia que já afeta vários países europeus, além dos Estados Unidos e, em menor escala, o Brasil.

“A Igreja Católica na Noruega está comovida depois que se revelou que o ex-bispo Müller, de Trondheim, reconheceu ser culpado de abusos sexuais contra um menino e admitiu que o fato era a razão pela qual deixou as funções ano passado”, afirma o texto.

Müller, 58 anos, nascido na Alemanha, deixou o cargo de bispo de Trondheim em junho de 2009, oficialmente por incompatibilidades de trabalho. a Igreja afirma agora que não revelou a causa real de seu afastamento a pedido da vítima, cuja identidade não foi revelada.

Segundo o jornal norueguês “Adresseavisen”, que revelou o caso, o abuso aconteceu há 20 anos, quando Müller era padre em Trondheim.

A vítima, um coroinha que agora tem por volta de 30 anos, obteve acordo com a igreja –que se comprometeu a pagar um salário anual de entre 400 mil e 500 mil coroas norueguesas como indenização, ainda segundo o jornal.

Depois de guardar segredo durante duas décadas, a vítima contou a um sacerdote que Müller havia abusado dele quando este era sacerdote em Trondheim e ele coroinha. A Igreja iniciou uma investigação e confirmou as denúncias do jovem.

O episódio é o primeiro confirmado na Igreja Católica deste país de maioria protestante.

“A Igreja Católica norueguesa está comovida em seus alicerces. Em primeiro lugar quero expressar minha compaixão com a vítima e a vergonha por parte da Igreja, destacando que Müller atuou contra todas as orientações e promessas que jurou”, assinalou em comunicado Bernt Eidsvig, arcebispo de Trondheim e Oslo.

Eidsvig disse que falava em nome do cardeal William Joseph Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Escândalo

O escândalo sobre os acobertamentos de abusos sexuais de crianças por parte de padres foi revelado na Igreja Católica da Irlanda e atingiu o Vaticano com intensidade ainda maior que o escândalo semelhante que atingiu os Estados Unidos oito anos atrás.

Desta vez, o escândalo vem chegando perigosamente perto do próprio papa, na medida em que os grupos de vítimas disseram que querem saber como ele tratou desses casos antes de sua eleição a papa, em 2005.

Muitas alegações de acobertamentos de abusos sexuais envolvem Munique, na época em que o papa foi arcebispo da cidade, entre 1977 e 1981. Grupos de vítimas pedem ainda informações sobre as decisões tomadas pelo papa na época em que dirigiu o departamento doutrinal do Vaticano, entre 1981 e 2005.

Os casos de pedofilia atingiram ainda a Holanda, onde a Igreja Católica recebeu 1.100 denúncias de pessoas que afirmam ter sofrido abusos sexuais por parte de membros do clero entre os anos 50, 60 e 70.

Na Alemanha, as denúncias de pedofilia chegam a 120 e teriam ocorrido entre as décadas de 1970 e 1980 em escolas jesuítas locais. O caso envolveu até mesmo o sacerdote Georg Ratzinger, irmão do papa, que liderava os rapazes do coro da catedral de Regensburg. O sacerdote negou saber dos casos de abusos e foi inocentado pelo Vaticano.

Na semana passada, na Áustria, a imprensa local noticiou casos de abusos cometidos em dois institutos religiosos nas décadas de 1970 e 1980.

Na Espanha, o Vaticano disse saber de 14 casos de abuso sexual de crianças, que teriam ocorrido de janeiro de 2001 até março de 2010, na Igreja Católica da Espanha.

De acordo com a imprensa espanhola, entre as suspeitas há pelo menos dez sentenças já emitidas por tribunais civis e quatro processos abertos por abusos similares cometidos por religiosos antes de 2001. No total, são 25 sacerdotes e religiosos espanhóis implicados em pedofilia nos últimos 20 anos.

Na França, a diocese de Rouen informou que um de seus padres está sendo investigado por “antigos delitos contra uma criança”. A investigação do padre Jacques Gaimard, diretor da emissora Radio Chrétienne, no Departamento de Haute-Normandie, foi aberta após denúncia apresentada pela vítima.

Outro sacerdote da diocese francesa terá de declarar perante um tribunal por “posse de imagens pornográficas de crianças”. Os dois padres foram suspensos do serviço até que a Justiça dê a sentença.

Nos EUA, as maiores autoridades do Vaticano, incluído o então cardeal Joseph Ratzinger, teriam encoberto o reverendo americano Lawrence Murphy acusado de abusar sexualmente de 200 crianças surdas.

O Vaticano reconheceu ainda os abusos cometidos por dois monsenhores e um padre do município de Arapiraca, a 130 quilômetros de Maceió (AL), depois de terem sido acusados de pedofilia por alunos de um coro e por seus familiares.

Fonte: Folha de São Paulo

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Os escândalos mais recentes da Igreja Católica

As pressões sobre o papa Bento XVI aumentaram desde que os escãndalos sobre abusos sexuais na Igreja tomara a atenção da mídia. Veja um resumo dos casos mais recentes em vários países:

EUA

Na quinta-feira, o The New York Times trouxe a notícia de que, em 1996, o cardeal Joseph Ratzinger, que veio a se tornar o papa Bento XVI em 2005, teve papel fundamental no encobrimento do caso do padre Lawrence Murphy.

Murphy, que morreu em 1998, é suspeito de ter abusado de até 200 meninos em uma escola para surdos entre 1950 e 1974.

Outro caso famoso da Igreja nos EUA foi o de dois padres de Boston, Paul Shanley e John Geoghan. Ambos estavam envolvidos em casos de abuso nos anos 90 e foram supostamente acobertados por líderes da Igreja, que os transferiam de paróquia em paróquia.

A arquidiocese de Boston concordou em pagar US$ 85 milhões depois de receber mais de 500 processos por abuso e omissão.

Um relatório encomendado pela Igreja em 2004 concluiu que mais de 4 mil padres americanos enfrentaram acusações de abuso sexual nos últimos 50 anos, em casos envolvendo mais de 10 mil crianças – principalmente meninos.

ALEMANHA

Desde o início de 2010, pelo menos 300 pessoas acusaram padres católicos da Alemanha de abuso sexual ou físico. As alegações estão sendo investigadas em 18 das 27 dioceses da Igreja Católica.

Entre as acusações, está o abuso de mais de 170 crianças por padres em escolas jesuítas, além de casos dentro de um coral de meninos dirigido durante 30 anos pelo monsenhor Georg Ratzinger, irmão do papa.

Em março, o padre Peter Hullermann, que foi condenado por molestar crianças quando servia na Arquidiocese de Munique e Freising, foi suspenso de suas funções após violar uma proibição de trabalhar com menores.

No último dia 22, a diocese de Regensburg confirmou novas acusações contra quatro padres e duas freiras, em casos que teriam ocorrido nos anos 70.

IRLANDA

No ano passado, dois documentos que examinaram acusações de pedofilia entre clérigos irlandeses relevaram a profundidade do problema no país, com casos de abuso, acobertamentos e falhas hierárquicas envolvendo milhares de vítimas durante várias décadas.

Um dos documentos mostrou que quatro arcebispos de Dublin fizeram vista grossa para casos de abuso ocorridos entre 1975 e 2004. Quatro bispos renunciaram e toda a hierarquia da Igreja irlandesa foi convocada ao Vaticano para depor pessoalmente diante do papa Bento XVI.

Em meio a isso, um novo escândalo veio à tona neste mês de março com a informação de que o chefe da Igreja Católica Irlandesa, cardeal Sean Brady, estava presente em reuniões realizadas em 1975, quando crianças fizeram um voto de silêncio sobre reclamações contra um padre pedófilo, Brendan Smyth.

HOLANDA

Em março, bispos da Holanda pediram uma investigação independente diante de mais de 200 acusações de abuso sexual de crianças por padres, além de três casos ocorridos entre 1950 e 1970.

Inicialmente, as acusações envolviam a escola do mosteiro de Don Rua, no leste da Holanda. O escândalo fez surgir dezenas de novas alegações de supostas vítimas em outras instituições do país.

ITÁLIA

Em janeiro de 2009, vários homens deficientes auditivos vieram a público para dizer que foram abusados quando eram crianças no Instituto para Surdos Antonio Provolo, na cidade de Verona, entre 1950 e 1980.

No fim do ano passado, a agência de notícias Associated Press obteve uma declaração por escrito de 67 ex-alunos da escola nomeando 24 padres e outros religiosos a quem acusavam de abuso sexual, pedofilia e castigos físicos. A diocese de Verona disse que pretendia entrevistar as vítimas, depois de uma solicitação do Vaticano.

ÁUSTRIA

Acusações independentes de abuso sexual infantil por padres surgiram em várias regiões do país. Após um dos escândalos, cinco padres de um mosteiro em Kremsmuesnter foram suspensos.

Em Salzburgo, o chefe de um mosteiro local renunciou ao cargo após confessar ter abusado de um menino há 40 anos, quando ele era monge.

SUÍÇA

Uma comissão formada pela Conferência dos Bispos da Suíça em 2002 vem investigando acusações de abuso envolvendo religiosos do país. Em março, um membro da comissão, o abade Martin Werlen, disse em uma entrevista que cerca de 60 pessoas fizeram acusações sobre casos que teriam ocorrido nos últimos 15 anos.

Um padre do cantão de Thurgau foi preso no último dia 19 sob suspeita de abuso sexual de menores.

Fonte BBC

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Irmão de Bento XVI se livra de acusação de abuso sexual

O Vaticano disse neste sábado, 6, que os dois casos de abuso sexual ligados a um renomado coral na Alemanha não coincidem com o período de trinta anos em que o irmão do papa Bento XVI esteve à frente da catedral.

Depois que casos de abusos em escolas jesuítas na Alemanha vieram à luz no mês passado chocando o país, a Igreja Católica revelou na sexta-feira acusações contra padres que teriam espancado e abusado sexualmente de meninos em pelo menos três escolas na Bavária.

O jornal do Vaticano, L’Osservatore Romano, publicou no sábado uma declaração do Bispo de Regensburg, Gerhard Ludwig Muller, dizendo que um caso de abuso do diretor-assistente de uma escola primária ligada ao coral foi detectado em 1958. O clérigo foi prontamente afastado e processado, disse o comunicado.

Outro padre, que trabalhou com o coral da catedral em 1958 durante sete meses, foi culpado de abuso sexual 12 anos mais tarde. Uma investigação está sendo conduzida agora para determinar se ele cometeu algum abuso durante seu tempo com o coral.

“Ambos os casos foram tornados públicos na ocasião e podem ser considerados encerrados no sentido legal. Eles não coincidem com o período em que o reverendo Georg Ratzinger esteve no cargo (1964-1994),” disse o comunicado.

A diocese disse em uma declaração na sexta-feira estar investigando as acusações de abuso sexual, espancamento e humilhação de três homens no início dos anos 1960, quando freqüentaram internatos ligados ao coral.

O Vaticano afirmou apoiar integralmente a diocese de Regensburg em sua decisão de investigar aberta e decididamente o assunto e que a principal preocupação da Igreja é proporcionar justiça a quaisquer vítimas.

A diocese, onde o papa ensinou teologia na universidade entre 1969 e 1977, disse na haver casos de abuso no momento e que irá investigar todas as acusações passadas.

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Maçonaria: Juízes e Desembargadores envolvidos em quadrilha

CUIABÁ – O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) julga na terça-feira processo administrativo que apura o desvio de R$ 1,5 milhão no Tribunal de Justiça de Mato Grosso. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, relator do caso, apresentou parecer em que pede a aposentadoria compulsória de três desembargadores e sete juízes, suspeitos de participação no desvio dos recursos para favorecer a entidade maçônica Grande Oriente de Mato Grosso.

Segundo o relatório, o caso começou em 2003, quando os envolvidos criaram uma cooperativa de crédito vinculada à Grande Oriente do Estado de Mato Grosso, da qual o desembargador José Ferreira Leite, então presidente do Tribunal de Justiça, era grão-mestre.

A cooperativa de crédito quebrou em 2004, quando foi descredenciada pelo Banco Central por falta de liquidez. Para atender aos correntistas, a maioria ligada à maçonaria, os envolvidos “buscaram recursos no Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, por meio de pagamentos de créditos aos seus magistrados maçônicos ou não, desde que tivessem desprendimento para emprestá-los à ordem maçônica”, diz o relator.

Uma auditoria mostrou que foram realizados pagamentos ilegais, como a restituição indevida do Imposto de Renda já recolhido à Receita Federal, diferença de teto, pagamento de correção monetária sobre verba já corrigida, sobreposição de correções monetárias, atualizações calculada com base na suposta diferença de teto e duplicidade no pagamento de verbas salariais.

Fonte: OESP

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Centenas de Irlandeses violentados por padres buscam ajuda

Centenas de vítimas de abuso sexual em paróquias católicas de Dublin entraram em contato com serviços de aconselhamento psicológico, na quinta-feira, após a divulgação de um relatório ter mostrado que arcebispos acobertaram obsessivamente décadas de abusos amplos.

Os serviços de aconselhamento disseram que o relatório, que detalhou numerosos exemplos de violência e disse que um padre abusou sexualmente de mais de cem crianças, desencadearam as memórias das vítimas e levaram muitas delas a vir a público pela primeira vez.

O serviço de aconselhamento Faoiseamh, montado pela Igreja Católica, disse que os telefonemas triplicaram esta semana, e o Centro de Crise de Estupros de Dublin disse que o número de chamados de vítimas saltaram de uma média diária de 25 para mais de 140 na quarta-feira.

“Houve uma avalanche de chamados”, disse à Reuters a executiva-chefe do Centro, Ellen O’Malley-Dunlop.

“A maioria era de pessoas que estava ligando pela primeira vez, que estavam sofrendo muito e cujas memórias tinham sido reativadas. Elas se sentem péssimas por não terem se manifestado antes, mas a natureza desse crime é justamente essa: silenciar as pessoas”, disse ela.

O relatório do inquérito foi divulgado seis meses após um relatório igualmente condenatório e ainda mais explícito sobre açoitamentos, trabalho escravo e estupros coletivos que eram comuns em escolas industriais e reformatórios administrados pela Igreja em fase anterior do século 20.

O Centro de Crise de Estupros de Dublin disse que o número de pessoas que o procuraram subiu 300 por cento após a divulgação do chamado relatório Ryan, em maio, mas que subiu mais ainda na quarta-feira.

“Após o relatório Ryan recebemos ligações de pessoas mais velhas, mas ontem à noite houve muitos homens mais jovens, na casa dos 30 anos, que estavam totalmente arrasados”, disse O’Malley-Dunlop.

Grupos de vítimas exortaram o ministro da Justiça, Dermot Ahern, a estender as investigações a todas as arquidioceses do país, mas o bispo auxiliar de Dublin disse que, em vez disso, o tempo e o dinheiro devem ser investidos no aprimoramento dos serviços de proteção à infância.

O bispo Eamonn Walsh disse à Reuters que uma investigação igualmente ampla sobre abusos cometidos apenas em outras áreas de Dublin levaria vários anos e simplesmente traria os mesmos resultados.

“Podemos fazer duas coisas: passar os próximos dez anos investigando o que aconteceu entre 1960 e 2000 ou aprender com o que aconteceu, destilar tudo e definir o que precisamos fazer agora”, disse Walsh, referindo-se ao período coberto no novo relatório.

“É preciso investir nossa energia e nosso dinheiro na proteção das crianças através de serviços civis e da igreja. O que queremos é ter profissionais fazendo o trabalho que nós, da igreja, fizemos de maneira inepta no passado, com resultados desastrosos.”

Fonte: Reuteurs

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Mais uma diocese americana vai a falência por causa de padres tarados

Uma diocese católica do Estado americano de Delaware entrou com pedido de falência na noite de domingo na véspera de um julgamento sobre abusos sexuais cometidos por padres.

A medida adia automaticamente o julgamento, que estava previsto para esta segunda-feira.

O bispo da diocese de Wilmington, que abrange os Estados de Delaware e Maryland, disse que o pedido de falência seria a melhor forma de beneficiar todas as vítimas, mas a decisão foi criticada pelo advogado que acusa a instituição religiosa.

O bispo Francis Malooly argumenta, em um texto publicado no site da diocese na internet, que as negociações da Igreja com oito vítimas de abuso sexual fracassaram.

‘Dolorosa’

Caso eles ganhassem o processo nesta segunda-feira, a quantia pedida deixaria a diocese sem recursos para pagar outras 133 pessoas que têm processos semelhantes contra a instituição.

“Esta é uma decisão dolorosa, uma que eu esperei e rezei para que nunca tivesse que fazer”, disse Malooly, no texto.

“Entrar com um pedido no Capítulo 11 [da lei de falência] é a melhor oportunidade, dados os recursos limitados, para dar o tratamento mais justo possível a todas as vítimas de abuso sexual por padres da nossa diocese.”

Para o advogado Thomas Neuberger, que representa 88 vítimas, a medida foi uma forma desesperada da diocese para impedir que a verdade fosse revelada, já que a Igreja teria de apresentar documentos às autoridades durante o julgamento.

“Este pedido é o mais recente e triste capítulo na história de décadas de acobertamento destes crimes condenáveis para manter em segredo a responsabilidade e cumplicidade do abuso de centenas de crianças católicas”, disse Neuberger, em nota à imprensa.

Wilmington é a sétima diocese americana a pedir falência devido a prejuízos provocados por escândalos sexuais. A primeira a fazê-lo foi a arquidiocese de Boston, em 2002.

Até agora, a diocese pagou US$ 6,2 milhões a vítimas de abusos. O maior pagamento do tipo até hoje foi feito pela arquidiocese de Los Angeles, que em julho de 2007 desembolsou US$ 660 milhões com 508 vítimas. BBC Brasil – Todos os direitos reservados.

Interessante que, no Brasil, apesar da existência de casos de abuso sexual até mais numerosos que os americanos, nada ocorre. O fato é óbvio, o catolicismo está enraizado nos poderes. No exército (capelães  (somente católicos podem ser) são pagos com dinheiro do contribuinte), no judiciário (há imagens católicas em quase todos tribunais) e legislativo (imagens católicas, feriados são criados para “santos padroeiros” em todas as cidades).

Neste país, a separação da igreja católica com o Estado está apenas na constituição, mas ninguém cumpre, pois as mãos podres da igreja católica estão em todos os lugares.

Fonte: BBC.

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Barriga de Aluguel: É preciso repensar a questão legal

A “barriga de aluguel” ou “mãe substituta” (como se denomina hoje) se define como uma mulher que por acordo engravida para entregar a criança a uma outra mulher ou família.  A “gravidez por substituição” ou” mãe por substituição”, no entanto, é até hoje rejeitada como conceito pela sociedade brasileira.

Como é realizado o procedimento biologicamente:

O procedimento normalmente é realizado através de fertilização in vitro na qual fecunda-se o óvulo da futura mãe com o espermatozóide do futuro pai em laboratório e transfere-se o embrião para o útero da mãe substituta.

Em alguns casos, no entanto, a futura mãe também não possui mais óvulos viáveis ou não os possui mais por completo.  A doação de óvulos no Brasil é feita impreterivelmente de forma anônima.  A doadora é escolhida geralmente a partir de uma semelhança dos dados entre esta e a futura mãe, além de uma foto de infância da doadora, sendo mantida a identidade de ambas anônimas entre si.  Portanto, em qualquer dos dois casos, no Brasil, segundo a lei, o embrião jamais terá qualquer carga genética advinda da mãe substituta.  Essa exigência não é a nível mundial, e nem tampouco é o corrente na ilegalidade, podendo nestes casos a prática de que a mãe substituta também seja a biológica, o que traria um gravíssimo problema ético a questão, mas este texto não pretende abordar este quadro.

Em que casos essa alternativa é útil:

Essa alternativa de um “útero substituto” é buscada por mulheres que estão impossibilitadas biologicamente de engravidar.  Por exemplo: as mulheres que tiveram que extrair o útero; que possuem algumas anomalias uterinas; que sofreram danos no útero quer por operação, infecção, miomas, endometriose, câncer; que possuem doenças graves transmissíveis ao feto; que possuem risco de morte em caso de gravidez; que sofrem de aborto recorrente de causa desconhecida ou não passível de ser tratada; entre outros casos.

Ao contrário do que muitos imaginam, o procedimento não é indicado pela simples idade avançada materna, uma vez que o útero demora mais a envelhecer que os ovários, podendo a mulher até mesmo na menopausa engravidar com óvulos doados.

Qual a definição dada pela lei:

No Brasil a lei limita que o procedimento de “útero emprestado” só possa ser realizado entre parentes até 3º grau.  Os demais casos precisam ser levados ao Conselho Regional de Medicina (CRM) para aprovação, o que demanda um tempo, que conforme relatado por um médico de fertilidade em 2007, levava em torno de 1 ano.  Mas em qualquer caso, só é aceito em regime solidário, sem fins lucrativos, podendo os futuros pais pagar apenas as despesas médicas da mãe substituta.

Os entraves jurídicos atualmente tornam o procedimento inviável para a maioria das mulheres que não possuem parentes em condições de substituí-la.  Os custos da fertilização in vitro (FIV) já são naturalmente elevados, variando entre 8 mil e 12 mil reais, fora os medicamentos que ficam entre 3 mil e 6 mil.  As chances de sucesso de uma FIV são de 35% a 40%, no entanto, com a idade caem significativamente, chegando a números bastante reduzidos em torno de 40 anos.  O que faria com que o procedimento provavelmente devesse ser repetido por diversas vezes na tentativa de se obter sucesso.  Qualquer tempo perdido, como o tempo para conseguir levantar os recursos a fim de realizar a fertilização ou o tempo para conseguir a aprovação do CRM pode tornar inviável o tratamento, uma vez que a fertilidade feminina decai rapidamente após certa faixa etária, e alguns problemas de saúde podem comprometer inclusive o funcionamento dos ovários prematuramente.

Devido à lei que proíbe a comercialização do útero emprestado, a oferta comercial acaba sendo feita ilegalmente.  Como tudo que é ilegal, os custos são elevadíssimos, já havendo casos em que o valor cobrado foi de mais de 100 mil reais.  O desespero do casal que busca esse sonho natural de ter um filho com suas características genéticas pode levar a margem da legalidade, com todos os riscos que isso pode trazer para a criança, para o casal e para a mãe substituta.

O nosso inconsciente e a dificuldade em aceitar a mãe substituta:

Por que então é mais fácil alguém aceitar que a mulher tenha um filho que não será biologicamente dela, contanto que ela engravide, do que ter um filho biológico com uma mãe substituta?  Acredito que apesar do avanço da ciência e do ensino da genética básica que tivemos no colégio, a reprodução ainda está muito associada ao evento gravidez.  Muitas mulheres consideram que se não passarem pela experiência da gravidez, não são mães tão completas.  A associação da filiação está mais ligada no inconsciente coletivo ao bebê saindo de dentro da barriga após o parto do que a carga genética.  Além disso, uma novela televisionada de muito sucesso nos anos 90, período em que o procedimento passou a ser divulgado no Brasil, também contribuiu para confundir a população quanto ao assunto, por mostrar uma mãe de aluguel jovem e sem filhos, tratando o tema de forma muito parcial.

No entanto essa visão não é mundial, uma vez que nos EUA a aceitação da barriga de aluguel como atividade lucrativa é bastante maior, sendo o procedimento aprovado em alguns estados e acatado por muitos.

Diante disso o que temos no Brasil?  Pela dificuldade de uma parte da sociedade ainda em entender a barriga de aluguel, mulheres são privadas da possibilidade de ter seu filho biológico.  Assim como em outros casos, raramente quem está de fora do problema consegue compreender com profundidade o sofrimento que isso envolve e a importância vital que a solução desse problema possa ter na vida dessas pessoas.  O entrave costuma se originar no desconhecimento do caso e distanciamento do problema por parte de quem faz a lei ou a apóia.

Doação de Óvulos x Empréstimo de Útero, o primeiro é aceito e o segundo rejeitado incompreensívelmente:

Por que a não aceitação da sociedade sobre esse fato?  Especialmente quando a doação de óvulos é largamente praticada nas clínicas de fertilidade em sistema de “troca de favores” com uma boa margem de aceitação social?  Ou seja, a sociedade aceita facilmente que uma mulher doe seu óvulo para que outra engravide e tenha um filho que é biologicamente da doadora, no entanto tem dificuldade em aceitar que uma mulher tenha o próprio filho biológico, se esse necessitar “crescer” em outro útero?  A lei brasileira define que a doação de óvulos não pode também ter fins lucrativos, no entanto, se uma mulher precisar fazer um tratamento pra fertilidade e tiver condições de doar óvulos (idade jovem e boa fertilidade) recebe o seu tratamento de graça ou a custos muito reduzidos em troca da doação, o que não podemos negar que envolve um “favor financeiro”.  Porém a sociedade aceita isso como algo positivo.  Ao se entrevistar qualquer doadora, o entendimento da mesma é de que não está realizando um comércio, mas sim, ajudando uma outra mulher a realizar o seu sonho, enquanto recebe o mesmo em troca.  O entendimento desse sistema tanto por parte de quem já praticou, quer doadora ou receptora, quanto pelas outras mulheres em tratamentos diversos para engravidar é positivo.  No entanto, a maioria não aceita bem a idéia da mãe substituta, especialmente quando envolve alguma troca financeira.

O procedimento de doação de óvulos possui mais implicações ao longo prazo do que o útero emprestado.  No caso do útero substituto, uma vez que a criança nasceu, é entregue a mãe definitiva que assumirá totalmente a criança.  A mãe substituta terá cumprido sua missão e voltará a cuidar de seus próprios filhos, agora com os recursos extras recebidos por seu bom trabalho e a satisfação de ter ajudado outra mãe.

No entanto, a doação de óvulos não é igual, pois a receptora conviverá com um filho que não é biologicamente seu, lidará com suas próprias questões internas para aceitar que essa criança substitua o sonho original de ter seu filho biológico, conviverá com a incerteza de como a criança no futuro lidará com o fato quando descobrir, uma vez que atualmente com tanta informação científica será muito difícil esconder esse segredo pra sempre.  Do outro lado, a doadora do óvulo conviverá com a incerteza do destino de seu filho biológico: se este está com boa saúde, se está sendo totalmente aceito na outra família, se um dia se conhecerão por acidente, se poderá acontecer como na ficção que este venha a namorar por acidente a irmã biológica (ainda que a probabilidade seja mínima), entre muitas outras incertezas.  Outra questão relevante são as doenças hereditárias e outras peculiaridades hereditárias, que se tornarão mais difíceis de serem diagnosticadas, tratadas, ou mesmo entendidas e aceitas, sem o histórico e a presença da mãe biológica.  E quando lidamos com uma criança especial, com inúmeras necessidades de cuidados e gastos por toda a vida, que serão inteiramente da responsabilidade da receptora e do pai da criança, será que a aceitação será total em 100% dos casos ao longo de todos os anos?  Não sou contrária à doação de óvulos ou espermatozóides, porém considero que envolve inúmeras questões éticas e pessoais que continuarão sendo polêmicas toda a vida, enquanto considero que o empréstimo do útero é um procedimento consideravelmente mais simples eticamente falando.

Em que a lei poderia servir para ajudar:

No lugar de proibir o ganho financeiro com o empréstimo do útero, o que leva o procedimento a ser realizado de qualquer forma, só que ilegalmente, seria mais útil que a lei apoiasse e delimitasse alguns detalhes a fim de tornar o ato mais seguro para todos os envolvidos.  Algumas exigências seriam: a proibição de que sejam utilizados os óvulos da mãe substituta; a obrigatoriedade de que a mãe substituta já tenha filhos; uma avaliação psicológica de sua maturidade no entendimento do procedimento; uma definição contratual clara sobre a responsabilidade integral do futuro casal de pais em assumir o(s) filho(s) em qualquer circunstância, assim como em arcar com quaisquer custos inerentes a gravidez e a saúde da gestante durante e após a mesma desde que os eventos sejam advindos da gestação; uma definição por contrato da obrigatoriedade da gestante em entregar o bebê ao casal após o parto; a limitação do número de vezes que cada mulher poderia ser barriga de aluguel (que poderia ser até 1 única vez, por exemplo), entre outros.  Atualmente a maioria dos médicos sérios já realiza exigências diversas, outras inclusive nem mencionadas, como, por exemplo, que a mãe substituta expresse não desejar mais ter filhos.  Na verdade, como ao contrário dos ovários, o útero demora muito a envelhecer, a mãe substituta pode inclusive já está na menopausa, sendo uma mulher madura e mãe de vários filhos.

Conclusão:

A grande questão da permissão da barriga de aluguel é que trata-se de algo vital para quem desta necessita.  Envolve sonhos, expectativas, perspectivas que não podem ser ceifadas simplesmente pela falta de conhecimento da sociedade sobre o tema.  Esse assunto deveria ser primeiramente discutido pelas pessoas que efetivamente necessitam do processo, e pelas que oferecem seus serviços como mães substitutas.

Rose

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Padre Católico é condenado por Estupro e Genocídio

Igreja Católica está envolvida no extermínio de 800 mil seres humanos na África em 1994.

DAR ES SALAAM, TANZÂNIA – A corte da ONU que está processando os idealizadores do genocídio de Ruanda, em 1994, condenou um Padre Católico Capelão a 25 anos de prisão na sexta-feira por estupro e por matar tutsis que buscaram abrigo em um colégio.

Emmanuel Rukundo é um dos dois clérigos a ser indiciados Tribunal Criminal Internacional de Ruanda (TCIR) por seu papel do genocídio que durou 100 dias, durante os quais o Exército e milícias hutus mataram 800 mil tutsis e hutus de posição política moderada.

“O Comitê Judicial… considera Rukundo culpado de genocídio, homicídio como crime contra a humanidade e extermínio como crime”, disse o TCIR em um comunicado.

O tribunal, que fica na Tanzânia, disse que Rukundo, que era escoltado por soldados ou membros de milícias durante a onda de violência, mantinha uma lista de tutsis cujos movimentos eram monitorados.

Além disso, ele se envolveu no sequestro e assassinato de pessoas que buscaram abrigo em uma escola e também foi condenado por ter estuprado uma jovem tutsi.

“O acusado é considerado culpado de ter abusado de sua autoridade e influência moral para promover o sequestro e o assassinato de refugiados tutsis”, disse a corte.

Rukundo, nascido em  Ruanda, foi preso em Genebra em 2001. Os anos que ele já passou na cadeia serão levados em conta.

O tribunal começou a trabalhar em 1997 e, até agora, já deu 37 sentenças, das quais apenas seis foram absolvições.

O tribunal deveria ter completado suas tarefas no fim do ano passado e ouvir apelações até o fim de 2010. No entanto, a Assembléia Geral da ONU está considerando estender este mandato.

O secretário-geral da ONU, Ba Ki-moon, está visitando a Tanzânia e deve se encontrar com o TCIR nesta sexta-feira.

FONTE: Reuters e Estado de São Paulo

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O protestantismo brasileiro e os cemitérios

No período colonial foi escassa a presença de protestantes no Brasil. Somente no início do século 19, após a transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, o protestantismo começou a inserir-se de modo mais amplo na sociedade brasileira. Essa inserção teve duas fases bem definidas. Inicialmente, a partir de 1810, houve o surgimento do chamado “protestantismo de imigração”, ou seja, todos os protestantes existentes no Brasil eram estrangeiros que para cá tinham vindo como imigrantes, especialmente ingleses (anglicanos) e alemães (luteranos). Posteriormente, surgiu o “protestantismo de missão”, como resultado do trabalho de missões européias e norte-americanas entre os brasileiros. Essa modalidade implantou-se definitivamente a partir de 1855, com a chegada do Rev. Robert Reid Kalley, seguido, em 1859, pelo Rev. Ashbel Green Simonton.

Em virtude do predomínio do catolicismo no país e do fato de a Igreja Católica ser a religião oficial, os protestantes, tanto estrangeiros como brasileiros, enfrentaram sérios entraves ao longo de boa parte do século 19. Suas casas de culto não podiam ter a forma exterior de templos, os fiéis não podiam casar-se legalmente ou registrar os seus filhos, as crianças evangélicas sofriam discriminação nas escolas públicas e havia outras formas de intolerância aberta ou disfarçada. Outra restrição imposta aos protestantes dizia respeito aos cemitérios.

Durante o período colonial não havia cemitérios no Brasil. As pessoas geralmente eram sepultadas sob o piso ou nas paredes das igrejas e dos conventos. A partir de 1828, por razões de saúde pública, começaram a surgir leis que determinavam a criação de cemitérios municipais, que só começaram a ser usados em 1850. A legislação também contemplava a existência de cemitérios particulares, pertencentes às irmandades. Todavia, mesmo os poucos cemitérios públicos, pelo fato de serem consagrados pela igreja, eram vedados aos protestantes. A solução seria a criação de cemitérios específicos para os protestantes e outros acatólicos.

Em 19 de fevereiro de 1810, Portugal firmou três tratados com a Inglaterra. Um deles, o Tratado de Comércio e Navegação, mediante o seu Artigo 12, concedeu liberdade de culto aos ingleses e tolerância religiosa a outros acatólicos residentes no Brasil. O artigo dizia a certa altura: “Permitir-se-á também enterrar em lugares para isso designados os vassalos de Sua Majestade Britânica que morrerem nos territórios de Sua Alteza Real o Príncipe Regente de Portugal”. Assim sendo, no ano seguinte foi criado o Cemitério dos Ingleses, no bairro da Gamboa, no Rio de Janeiro, possivelmente o mais antigo cemitério protestante do Brasil. Nesse cemitério foi sepultada em 1840 a Sra. Cynthia H. Russel, esposa do pioneiro metodista Daniel P. Kidder, e em 1864, Helen Murdoch, a jovem esposa do Rev. Simonton.

Eventualmente, surgiram cemitérios semelhantes tanto no interior do país quanto nas principais cidades brasileiras, particularmente nas localidades litorâneas que tinham grandes comunidades de imigrantes protestantes. Um cemitério muito antigo foi criado também em 1811 na localidade de Ipanema, perto de Sorocaba, onde se implantou a primeira fundição de ferro do Brasil, cujos operários eram imigrantes luteranos suecos, dinamarqueses e alemães. Outros antigos cemitérios de estrangeiros acatólicos são o Cemitério dos Ingleses, em Recife; os cemitérios luteranos de Nova Friburgo e Petrópolis, e o dos imigrantes norte-americanos em Santa Bárbara d’Oeste (Cemitério do Campo). Mais tarde, seriam criados cemitérios para protestantes brasileiros, como aconteceu em Rio Claro, Brotas e outras localidades.

Em 1863, um decreto determinou que o registro de óbitos de acatólicos seria feito pelo escrivão do Juízo de Paz, em livro apropriado, e que em todos os cemitérios públicos haveria um “lugar separado” para o seu sepultamento. Posteriormente, em 1879, Saldanha Marinho apresentou um projeto de lei transferindo a administração dos cemitérios públicos para a exclusiva competência das câmaras municipais, sem intervenção de qualquer autoridade eclesiástica.

Nas localidades onde não havia cemitérios acatólicos, os protestantes continuaram a sofrer constrangimentos e manifestações de intolerância. São muitos os casos narrados pelos historiadores. Quando faleceu o Rev. José Manoel da Conceição (24-12-1873), o bispo do Rio de Janeiro, D. Pedro de Lacerda, ameaçou de excomunhão o capelão e o vigário que permitiram o sepultamento em “terreno sagrado”. Três anos depois, antes de vencer o prazo legal de cinco anos, os restos foram exumados e o cemitério foi “novamente benzido e reconciliado” (Vicente T. Lessa, Padre José Manoel da Conceição, pp. 72-73).

Por vezes, os sepultamentos tinham de ser feitos no mar, perto das praias, em cemitérios de escravos ou em propriedades particulares. Em alguns lugares tentou-se até mesmo impedir a criação de tais cemitérios. O historiador Vicente T. Lessa registra que a Câmara Municipal de Ubatuba reservou uma área do cemitério público para os protestantes, mas por três vezes certos elementos fanáticos tentaram destruir a obra: na primeira queimaram o gradil, na segunda arrancaram o portão e na terceira derrubaram o muro (Anais da 1ª Igreja Presbiteriana de São Paulo, p. 271).

Com o advento da República, houve em teoria a plena secularização dos cemitérios; no entanto, por várias décadas, especialmente no interior do país, ainda continuaram a ocorrer casos de intolerância nessa área, como proibições ou tentativas de proibição de sepultamentos.

2. O Cemitério Protestante de São Paulo

O primeiro cemitério a céu aberto na cidade de São Paulo foi construído no fim do século 18, em terreno pertencente à mitra diocesana, localizado no atual bairro da Liberdade. No centro do terreno ficava a capela de Nossa Senhora dos Aflitos, inaugurada em 27 de junho de 1779. Assim sendo, o cemitério ficou conhecido como dos Aflitos. Destinava-se ao enterro de indigentes, escravos e supliciados e funcionou até a abertura do Cemitério da Consolação, quando foram proibidos os sepultamentos em outros locais. O Cemitério dos Aflitos seria demolido por volta de 1883, quando o terreno foi loteado e vendido a particulares.

Quando a Câmara Municipal procurou dar cumprimento à lei de 1828, que determinara a criação dos cemitérios públicos, teve dificuldades por falta de consenso com as autoridades eclesiásticas. Em 1845 foi criado um cemitério contíguo ao Convento da Luz, que também serviria para o sepultamento das religiosas e de seus capelães, e seria administrado pelas mesmas. Em 1851, metade desse terreno foi cedida para a abertura de um cemitério para os estrangeiros católicos. Uma parte desse Cemitério dos Alemães foi reservado para estrangeiros não-católicos, ficando conhecida como Cemitério dos Protestantes.

Nesse mesmo ano, foi nomeada uma comissão especial para tratar da criação de um cemitério público e geral, sendo inicialmente escolhido o Campo Redondo (proximidades da atual Praça Princesa Izabel) como local adequado para o mesmo. Em 1855, o engenheiro Carlos Frederico Rath, que era o administrador do Cemitério dos Protestantes da Luz, sugeriu o Alto da Consolação como o local mais apropriado para o cemitério municipal.

Em 1856, com base em plantas apresentadas por Frederico Rath, as autoridades decidiram criar o novo cemitério, determinaram que não houvesse enterros em quaisquer outros lugares e resolveram que uma área anexa ao cemitério municipal seria usada para o sepultamento de acatólicos. Devido à crônica falta de recursos, o Cemitério da Consolação somente foi consagrado em 30 de junho de 1858. A parte reservada aos protestantes levou mais alguns anos para ser preparada e os sepultamentos só tiveram início em 1862. Em 1868, foram feitas duas subscrições junto à comunidade protestante (alemães, ingleses e outros) para a conclusão das obras do Cemitério Protestante.

3. O Cemitério dos Protestantes e os presbiterianos

Grande parte dos sepultados no Cemitério dos Protestantes é composta de alemães e brasileiros, havendo também muitos ingleses, norte-americanos e portugueses, bem como alguns suíços, suecos, dinamarqueses, italianos, austríacos e pessoas de muitas outras nacionalidades. No que diz respeito à religião, o maior grupo é constituído pelos luteranos, havendo também anglicanos, reformados e até mesmo alguns católicos e judeus.

Quanto aos presbiterianos, seu número é relativamente pequeno, mas extremamente significativo por causa da importância das pessoas ali sepultadas. Sem dúvida, os mortos mais ilustres são os Revs. Ashbel Green Simonton e José Manoel da Conceição, mas existem muitos outros pastores, tanto brasileiros como americanos, familiares de missionários, pessoas ligadas ao Mackenzie e membros conhecidos das igrejas presbiterianas de São Paulo.

O Cemitério dos Protestantes de São Paulo é um lugar que precisa ser conhecido e reverenciado pelos presbiterianos do Brasil. Ali podemos ter um contato direto com a nossa história e contemplar as lápides singelas dos nossos heróis da fé, homens e mulheres que deram as suas vidas pela evangelização do Brasil. Eles plantaram igrejas, criaram instituições de ensino, promoveram a literatura, amaram, serviram e, sim, como humanos que eram, também se envolveram em lutas e controvérsias, muitas vezes dolorosas. O próximo artigo contém algumas informações biográficas sobre os principais vultos que ali repousam aguardando a promessa da ressurreição em Cristo.

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Renascer: Um teto cai, e os demônios escancaram os dentes

Um acidente ocorre…

Não bastasse a catástrofe ocorrida na Renascer, com mortos e dezenas de feridos,  outras feridas aparecem, feitas propositalmente por aqueles que nunca se cansam de perseguir os protestantes.

Ora, acidentes ocorrem em todo o Brasil, em todas as formas. Mas sempre que há evangélicos no meio… A coisa ganha proporções circenses. Fazem todos os esforços possíveis e imagináveis para desmerecer os fiéis e ridicularizá-los.

Veja-se o caso do Sr. Governador e o Sr. Prefeito. Ao invés de irem para o local socorrer as vítimas e oferecer algum amparo, não. Posaram em feições reprovadoras e policialescas, como já condenando o ocorrido e prejulgando os fatos.

Coincidência?

O que mais surpreende, contudo,  é o fato de qu ninguém ainda parou para analisar o fato de que é a segunda vez que um teto vem abaixo em uma grande igreja evangélica, basta lembrar o ocorrido com a Universal alguns anos atrás. Ora, se levarmos em conta que, em décadas, essa é a segunda vez que isso ocorre e num espaço de tempo muito curto, não é preciso ser um estatístico para concluir que há algo de errado nisso.

Sim, estamos nos referindo a sabotagem, como mais uma arma da “esquerda” contra o povo de Deus. Quem garante que o telhado não teve suas vigas infestadas de cupins intencionalmente, já que não havia circuito de vigilância na parte externa da Igreja (quem colocaria vigilância num telhado)? Ora, qualquer inimigo, perseguidor, poderia tranquilamente, sabendo que a Igreja investiu em reformas no teto, propositalmente inefstar os vigamentos, através de uma armadilha que levaria poucos meses.

Parece exagero? Mas não foi exatamente o que ocorreu com a universal? Coincidência?

Os Demônios escancaram os dentes

E quanto à propalada mídia?

Ora, não se passou um dia, e os jornais começaram a estampar as notícias. No Estado de São Paulo online, havia comentários de um certo petista que dizia dar “graças a Deus” que aquilo havia ocorrido, pois era para os evangélicos aprenderem a não apoiar políticos “de direita”… Claro, quando o PT se une a Padres marxistas para apoiar e armar o MST, ai sim pode? Isso para não falarmos no oportunismo de outra matéria do Estadão que vincula a decisão do jogador Kaká de não ir para o Manchester City como sendo de influência da Renascer, ou seja, “culpa do evangélicos”…

Ora, quando comentaristas se põe a ridicularizar evangélicos, o “Estadão” permite. Mas se o comentário é em defesa deles, ai proibe… Um belo exemplo de “imparcialidade”. Alias,  as próprias matérias são exemplo disso. Lixos redacionais que apenas esploram o preconceito contra as minorias religiosas. E ainda há protestantes que perdem seu tempo lendo esse jornal. Ontem era a esquerda a perseguida, hoje os evangélicos são os perseguidos da vez, inclusive pela “esquerda”, predominantemente católica.

Num país onde a Igreja Caótica domina todo o poder, do executivo ao legislativo, e até mesmo nas forças armadas (o título de capelão só é dado a padres…), é claro que a reação ao constante crescimento evangélico iria provocar as forças do inferno.

Ao se manter a atual projeção, os evangélicos corresponderão à maioria da população em não mais que 30 a 50 anos, na mais pessimista das análises. Para tentar conter tal perspectiva, a Igreja Caótica tem caprichado na multiplicação da paternidade irresponsável (restrição ao controle da natalidade), na desesperada tentativa de aumentar os números de católicos, ainda que pobres e sem condições de estudo (o que os tornaria mais manipuláveis). Ledo engano, quantos nascerem, tantos serão convertidos.

O fato é que esta não será a primeira e nem a última vez que o diabo se valerá de uma desculpa para perseguir protestantes neste país. A cada novo convertido, legiões de seguidores de estátuas se levantarão. Mas serão derrotados, um a um. Com paciência e perseverança. Muito embora, o horizonte próximo parece trazer sinais de tempos de padecer.

A permanecer a crescente onda de perseguições, que vão desde a TV até autoridades (promotores, policiais, juízes), é bem provável que o Brasil caminhe para um Apartheid religioso, ou uma “Irlanda ao contrário”. Que todos redobrem a vigilância, levantemo-nos para a luta, pois quando as bestas escancaram os dentes, é porque desejam atacar suas vítimas.

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